História do Circo Zanchettini
“O circo tradicional existe, continua belo, e nós, do Circo Zanchettini, temos o compromisso de levar o legado que já pertenceu a nossos antepassados, quando nossos pais fundaram o Circo de nossa família. Nascemos em barracas de lona naquele Circo à moda antiga.”
O COMEÇO
Célia Cabral Salgueiro casada com Heleodoro Alves Salgueiro, ele, prefeito e ela escriturária. Por motivos políticos, Heleodoro foi assassinado, Célia então, no momento tão delicado e que exigia cuidado, no ano de 1930, decidiu deixar tudo para trás, e abrigou-se com seus filhos pequeninos, no Circo Irmãos Bocute. Ela ficou por um curto período neste Circo. Logo encontraram o Circo Irmãos Marques — Circo de Ciganos — onde fizeram parte da família.
Os Marques, ensinaram a Célia e filhos (entre eles, Wanda) toda arte e técnica Circense, conhecimentos de cada número, do modo de saber e viver em itinerância, eles entregaram sua sabedoria de todas as artes (dança, teatro, música entre outros) inclusive seu idioma de Ciganos de Circo, e Wanda com 06 anos de idade já estreava no picadeiro. Com o passar do tempo, tornou-se uma grande trapezista, acrobata, atriz, abraçando a vida de circo com enorme paixão.
Aos 18 anos Wanda conheceu e se apaixonou por Primo Julio Zanchettin, filho de italianos, casaram-se, ele entrou para a vida de Wanda e do Circo, tornando-se também, parte da família.
Com o passar do tempo, Celia, Julio, Wanda e seus irmãos, desmembraram-se da familia Marques e construíram sua própria companhia, com as bençãos dos Marques, honrando os ensinamentos que a eles foi ensinado. Um período de grande expansão, marcado por grande sucesso, com a família já numerosa e com um belo Circo.
Então Julio e Wanda, já com seus primeiros filhos, resolveram construir sua própria história, formando oficialmente em 1964 o Circo Teatro Gávea. Foi um recomeço: Circo pequeno e enfrentando todas as diversidades que a eles eram impostas, seguiram adiante com o mesmo entusiasmo e amor pelo picadeiro e a arte da itinerância, desenvolvendo e ensinando seus filhos, netos e bisnetos, o mesmo aprendizado recebido. Formando grandes artistas, com seus espetáculos, de variedades, acrobacias de ar e solo, dramas, comédias, cantores, musicistas, bailados e a famosa dupla cômica Juquinha e Mara Wanda (Primo Julio e Wanda). Mantinham, acima de tudo, o compromisso de levar este lindo legado com esmero e dedicação.
O Circo Teatro Gávea e a família, atuaram a nível nacional e internacional por melhorias da arte em geral, lutando continuamente pelo reconhecimento do trabalho artístico. Foram os primeiros a enviarem artistas para aprimoramento, um intercâmbio entre Escola Nacional de Circo, conhecendo e aprendendo números novos de todos os países.
Com o falecimento de Primo Julio em 1990, em sua homenagem o Circo e Teatro Gávea, foi denominado Circo Zanchettini.
O CIRCO HOJE
O Circo Zanchettini, é um dos remanescentes do Circo tradicional de lona itinerante.
Há décadas resiste, com uma grande família, que se renova dentro e em volta da lona.
Em plena atividade, são irmãos, filhos, sobrinhos, primos, crianças, jovens, adultos e idosos, caminhando constantemente em sua jornada.
A única vez que teve que baixar a lona, e se recolher, foi na Pandemia COVID 19, sem poder se apresentar, foram para uma fazenda de amigos, trabalharam nas colheitas e plantações de feijão, batatas, além de fazerem vídeos e espetáculos sem público para documentários e entrevistas online, ficando parados quase dois anos quando o Brasil também parou.
Assim que teve a abertura e começou a itinerância, foi recebido com carinho, imenso afeto do seu público.
O Circo Zanchettini mantém o espetáculo, emocionante, poético e divertido, com números artísticos que preservam, difundem e enobrecem a arte Circense, sendo um dos mais premiados do Brasil.
Um espetáculo e uma vida emocionante.
“Em honra e in memoriam: Wanda Cabral Zanchettin, falecida em 02 de setembro de 2018, no Circo”
